“Odisseia” narra uma década da Cia. Hiato pelo viés das aventuras de Ulisses, que levou dez anos para voltar ao lar

Publicado 13/03/2019

Grupo borra fronteiras entre ficção e realidade e mistura as vivências de cada um dos integrantes com a narrativa do poema épico e a presença indispensável do público. Foto: Lígia Jardim

Os dez anos da Cia. Hiato, de São Paulo, foram comemorados em 2018 com o espetáculo “Odisseia”, que agora chega à Mostra 2019 do Festival de Curitiba, nos dias 5 e 6 de abril no Sept (Setor de Educação Profissional e Tecnológica, da UFPR). Desde a sua criação navegando pelo mesmo núcleo criativo, a Cia. Hiato já conta com seis espetáculos de grande alcance de público e, não à toa, nesta apresentação traz uma interpretação muito pessoal do poema épico grego que narra as aventuras de Odisseu (ou Ulisses), associado às experiências do grupo.

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Nesta incursão, a companhia testa os limites entre a responsabilidade individual e coletiva, questionando artisticamente o que é, afinal, “estar disponível ao outro”? Como poetas antigos, os atores recontam odisseias pessoais e coletivas, oscilando entre realidade e fantasia.

A experiência das narrativas que margeiam a Odisseia desafia os contrastes entre ficção e realidade, público e privado, borrando as fronteiras entre atores e espectadores. A partir da conhecida história de um homem que deixou seu lar e seu coração para lutar uma guerra e acabou por vagar por 10 anos tentando voltar para casa, a Cia Hiato convida o público a tomar o lugar do protagonista ausente, Odisseu, e navegar por diferentes ilhas.

Os sete atores desenlaçam memórias, dúvidas e sonhos a partir dos personagens e narrativas do épico grego: o abandono do filho Telêmaco; a rejeição de Calipso; o corpo de Circe; a violência estratégica de Atena; o fogo de Héstia; a espera de Penélope.

Uma viagem a um só tempo íntima e grandiosa que apresenta o encontro entre o ridículo da nossa vida ordinária e a força mítica das histórias que ainda tentam nos explicar. Porque, depois de tudo dito e feito, podemos igualmente ser ordinários e míticos.

Durante uma década, Ulisses só́ pensa em seu retorno. Mas, ao voltar à terra de origem, compreende, surpreso, que sua vida encontrava-se fora de Ítaca. Sua vida era sua própria navegação e só reencontraria esse tesouro se contasse tudo o que viveu. Mas em Ítaca, Ulisses não era um estrangeiro: era um deles. E, por isso, ninguém lhe pedia que contasse sua própria história.

Criada em completa colaboração com o público, “Odisseia” examina como nos agrupamos coletivamente, especialmente num espaço social que é o teatro, nos organizamos e cuidamos dos corpos que compartilham o mesmo espaço. Assim como a narrativa das aventuras de Ulisses, a peça nelas inspirada é o resultado de uma longa jornada de retorno, que envolveu uma série de outras atividades, sempre abertas ao público.

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