“Quando Quebra Queima” traz a insurgência secundarista ao Festival de Curitiba

Publicado 13/03/2019

Espetáculo do grupo ColetivA Ocupação é uma das atrações gratuitas da Mostra 2019 , e apresenta uma narrativa coletiva sobre a luta social. Foto: Mayra AzziFruto da primavera secundarista, “Quando Quebra Queima” mobiliza 15 corpos insurgentes para ecoar no palco as ocupações estudantis de 2016. O espetáculo é uma das atrações gratuitas da Mostra 2019 do Festival de Curitiba. As apresentações acontecem nos dias 04 e 05 de abril, no TELAB (UNESPAR) e é preciso retirar o ingresso uma hora antes do espetáculo.

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Definido por seus criadores como uma “dança-luta”, a peça/performance tem direção de Martha Kiss Perrone e é encenada pelo grupo ColetivA Ocupação, que é convidado pelo Festival de Curitiba a realizar,  além das duas apresentações, uma residência artística na cidade.  A dramaturgia é assinada colaborativamente por todos os integrantes do projeto.

“Quando Quebra Queima” é construída pelos estudantes que viveram a já histórica Primavera Secundarista, movimento de ocupação das escolas que impediu o fechamento de centenas de salas de aula em São Paulo e que se espalhou por todo o Brasil em diferentes reivindicações.

Com um autonomismo sem cartilha, os “secundas” reunidos em cena construíram um novo capítulo de luta e resistência da juventude contra os ataques à democracia e à educação brasileira, defendendo uma nova escola, livre das amarras de um projeto pedagógico conservador e alienante.

No palco, o grupo interpreta sua própria história, recriando o universo do movimento que protagonizaram. Através de uma linguagem híbrida, o espetáculo investiga as memórias de um dos maiores acontecimentos políticos dos últimos anos no país, que transformou o corpo e a vida de todos que participaram.

A narrativa foi estruturada a partir do repertório de cada performer e compõem as cenas: textos, músicas de protesto, coreografias e fotos feitas pelos próprios secundaristas. Ocupando o tempo presente, o espetáculo propõe uma narrativa coletiva e comum a partir da perspectiva de quem viveu intensamente o dia a dia do movimento.

ColetivA Ocupação – Em outubro de 2015, o Governo do Estado de São Paulo tentou impor um projeto para fechar mais de 100 escolas estaduais, sem consultar os estudantes ou a comunidade escolar. Como resposta a esse projeto, secundaristas de todas as regiões de São Paulo e em seguida do País ocuparam suas escolas e barraram a proposta de sucateamento da educação.

A ColetivA Ocupação é um encontro raro entre entre estudantes, artistas e performers de diferentes regiões de São Paulo, que se conheceram durante as ocupações. Dessa aproximação com o teatro, performance e luta nasceu o grupo que tem um trabalho contínuo de convivência e criação desde 2016.

A ColetivA, no seu dia a dia de encontro e investigação, busca tecer outras e novas relações, na vida interna do grupo e com o mundo.

Histórico – A primeira apresentação aconteceu em 2016, a convite da Casa do Povo, no encontro “​Performando Oposições​”. Em 2017, a ColetivA foi convidada para criar uma performance para a MIT – Mostra Internacional de Teatro. Em 2017, apresentou na UNEAFRO, no ​Encontro de​ A​ntropologia VI ReAct,​ na USP, na Escola Nacional Florestan Fernandes MST.

Organizaram ainda o encontro ​”O que aconteceu desde que pulamos os muros​”, na Matilha Cultural, e foram convidados do programa Laboratório de Estruturas de Flexíveis​ na Casa do Povo, durante lançamento do livro “​Negri no Trópico”​, da N-1 Edições, com a participação de Antonio Negri.

Em 2018 foi a estreia do seu primeiro espetáculo “Quando Quebra Queima”, na Casa do Povo, com temporada em seguida no Teatro Oficina. Apresentou no Festival IC de Teatro em Salvador e no Festival Crítica em Movimento, do Itaú Cultural, além de duas temporadas no Sesc 24 de maio e Vila Mariana. Em 2019 fará a sua primeira apresentação internacional no Festival Transform e Teatro Contact na Inglaterra.

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