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30 anos do Festival de Curitiba no olhar de Lenise Pinheiro

Mostra celebra três décadas de trabalho da principal fotógrafa cênica do país no Festival de Curitiba  

Mais importante fotógrafa de teatro do país, Lenise Pinheiro cobriu todas as edições do Festival de Curitiba desde 1992. Nestes 30 anos, enquanto Lenise flutuava pela cidade, seu olhar eternizava tudo o que acontecia nos palcos e bastidores do evento. 

Portanto, nada mais justo que em sua trigésima (e celebrativa) edição, o  Festival de Curitiba retribua a Lenise tudo que ela fez numa grande retrospectiva de sua obra. 

A exposição “Viva! 30 anos por Lenise Pinheiro” abre no dia 29 de março e segue até o dia 29 de abril numa espécie de “ocupação” dos espaços culturais com o trabalho da artista.

A exposição é dividida em três frentes. Começa no dia 29, quando inaugura uma grande mostra com cerca de 150 fotografias no vão livre do Museu Oscar Niemeyer (MON).  A curadoria é da própria Lenise e de Íris Cavalcante com expografia de Daniel Marques. 

“A exposição é como eu me apresento, desde esse tempo passado até o dia de hoje. Acho que engloba toda a minha vivência na jornada do Festival”, disse Lenise. 

Ao lado das fotos, uma linha do tempo dos 30 anos do Festival de Curitiba vai situar o visitante sobre o momento em que cada foto foi tirada. A seleção das fotos traça um panorama da evolução das tendências artísticas e estéticas predominantes em cada momento da produção teatral nas últimas três décadas.  

A exposição no MON é também um projeto educativo do Festival de Curitiba e conta com monitores e acessibilidade. Em horários pré-agendados, as visitas terão audiodescrição e libras. 

Mas o trabalho de Lenise Pinheiro não vai ficar parado no museu. Como ela sempre faz, vai se movimentar em intervenções pela cidade e pelos espaços do festival. “Nós queríamos levar a história para fora do museu; para as ruas e para os espaços culturais”, explica Roberta Cibin, produtora da exposição.  

Segundo Roberta, as luminárias usadas na festa de abertura serão espalhadas pelo circuito do festival e algumas das imagens mais representativas do acervo serão impressas em estandartes de tecidos que serão colocados nos teatros Guaíra e Guairinha, no Teatro da Reitoria e na Alfaiataria.  

Além disso, em pelo menos oito espaços do Festival, as imagens de Lenise serão reproduzidas em posters da técnica lambe-lambe. 

Carreira e Trajetória 

Lenise é a fotógrafa profissional mais importante do teatro brasileiro nas últimas quatro décadas. Autora do maior e melhor registro da cena teatral contemporânea nacional. Suas fotos fazem parte da ficha técnica dos espetáculos mais importantes do país.

Como disse seu amigo Ney Latorraca no livro “Fotografia de Palco” (Edições Sesc SP), “Lenise não apenas fotografa, mas contracena, respira junto com o ator e a luz”. Segundo Latorraca, o trabalho de Lenise faz com que o “teatro não perca sua memória. Um registro das nossas emoções, com altíssimo nível. Seu foco conhece a alma dos personagens. São fotos dramáticas, alegres, tristes, ensolaradas e reveladoras, como é o teatro”. 

Lenise lembra que começou a dedicar-se à fotografia de teatro em meados da década de 80. Pelo jornal Folha de S. Paulo, fotografou o Festival de Curitiba desde a primeira edição em 1992.  Naquele tempo, a fotografia analógica precisava ser revelada com urgência em alguma câmera escura de laboratório.  Ela conta que precisava “rebolar” para achar algum disponível em Curitiba nas tardes de domingo. “Com isso tudo as primeiras fotos carregam o significado do trabalho e apuro técnico, só faltam gritar!”.

Para ela, o ofício do fotógrafo e do ator tem um “grande ponto em comum: a mágica da revelação se dá numa sala escura, depois que se apagam as luzes”. 

Cumplicidade com atores e público

A relação de Lenise com os atores – a quem chama de “os magos da minha profissão” — é de cumplicidade. Ela explica que a cobertura de um grande festival de Teatro requer concentração, organização e algum método para que tudo funcione. “Por exemplo, eu combino com o ator e chego na hora do lenço e a partir desse momento ele já sabe que eu estou ali. Tem que estar todo mundo combinado para funcionar, nem sempre dá”, disse.

“O espírito tem que ser de parceria. No festival fica todo mundo muito pilhado, como disse a equipe tem que se dar bem na totalidade e é com eles que eu conto. Parte dessa gente está na exposição, na minha vida, na minha fotografia, eu nunca deixo de ver técnico atuando, gente criando, gente costurando, gente rindo no teatro”, disse.

A volta do público ao teatro no 30º Festival de Curitiba, afinal, é para Lenise o maior prêmio que ele poderia receber por sua trajetória. “Teatro é uma arte coletiva. Mais do que tudo neste momento não dá para deixar de associar a nossa condição enquanto ser humano/desumano. Uma plateia de teatro é uma força muito grande”. 

 

FICHA TÉCNICA

  • Exposição Viva! 30 Anos
  • 29 de março a 29 de abril
  • Local: Museu Oscar Niemeyer e intervenções pela cidade
  • Artista: Lenise Pinheiro
  • Curadoria: Lenise Pinheiro e Iris Cavalvante
  • Idealização: Fabíula Bona Passini
  • Expografia: Daniel Marques
  • Produção: Roberta Cibin
  • Entrada Gratuita
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