“Elza” apresenta a trajetória da cantora Elza Soares em canções que retratam resistência e reinvenção

Publicado 14/03/2019

Musical premiado capta a essência da artista que, no auge de sua carreira, continua a conquistar fãs. Foto: Leo Aversa

A Mostra do Festival de Curitiba é conhecida por trazer espetáculos premiadíssimos. Em sua edição de 2019, um deles é o musical “Elza”, que conquistou o Prêmio Shell de Melhor Música e o Prêmio Reverência nas categorias Melhor Espetáculo, Melhor Direção (Duda Maia), Melhor Autor (Vinícius Calderoni) e Melhor Arranjo (Letieres Leite). Além disso, está indicado no Prêmio APCA em duas categorias: Melhor dramaturgia e melhor atriz – Larissa Luz. O espetáculo estará no Guairão nos dias 5 e 6 de abril.

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A trajetória de Elza Soares é sinônimo de resistência e reinvenção. As múltiplas facetas apresentadas ao longo de sua carreira estão em cena no musical. Larissa Luz, convidada para a montagem, e outras seis atrizes selecionadas após uma bateria de testes (Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacorte e Verônica Bonfim), dividem a missão de evocar a intérprete, através do texto de Vinícius Calderoni e da direção de Duda Maia.

Pedro Luís, Larissa Luz e Antônia Adnet assinam a direção musical e o maestro Letieres Leite foi o responsável pelos novos arranjos para clássicos do repertório da cantora, como ‘Lama’, ‘O Meu Guri’, ‘A Carne’ e ‘Se Acaso Você Chegasse’. O projeto foi idealizado por Andrea Alves, da Sarau Agência, a partir de um convite da própria Elza e de seus produtores Juliano Almeida e Pedro Loureiro.

O espetáculo foi desenvolvido, no momento em que Elza se encontra no auge de uma carreira marcada por reviravoltas e renascimentos. Ao lançar seus últimos dois discos, ‘A Mulher do Fim do Mundo’ (2015) e ‘Deus é Mulher’ (2018), a cantora não somente ampliou ainda mais seu repertório e o imenso leque de fãs, como conquistou, mais uma vez, a crítica internacional, e se consolidou como uma das principais vozes da mulher negra brasileira.

“O espetáculo é uma grande celebração da mulher. É a vez e a voz da mulher brasileira em cena”, diz a produtora Andrea Alves, responsável por espetáculos recentemente premiados, como “Suassuna – O Auto do Reino do Sol” – que esteve na Mostra 2018 do Festival de Curitiba -, “Auê” e “Gota D’Água [a seco]”.

Vinícius Calderoni, autor do texto, chama a atenção para a coletividade do processo de criação e montagem. Após ter escrito as primeiras páginas, ele começou a frequentar os ensaios e estabeleceu um rico intercâmbio com Duda Maia e as sete atrizes. “Hoje poderia dizer que elas são coautoras e colaboradoras do texto. São sete atrizes negras e múltiplas, como a Elza é. Diante da responsabilidade enorme, eu estabeleci limites de fala para mim, por exemplo, em relação a alguns temas. Limitei a minha voz e disse que não escreveria nada, queria os relatos delas e as opiniões. Pedi a colaboração das experiências vividas por uma mulher negra. Do mesmo jeito que a Duda propôs muitas coisas, as atrizes também tiveram este espaço”, conta o dramaturgo.

Tal processo colaborativo se estendeu para a música, com a participação ativa das atrizes e das musicistas nos ensaios com Pedro Luís e Letieres Leite, que liderou algumas oficinas com o grupo no período dos ensaios. O processo gerou ainda duas canções inéditas que estão na peça: “Ogum”, de Pedro Luís, e “Rap da Vila Vintém”, de Larissa Luz. Se a escolha de Pedro para a função foi referendada pela própria Elza – que gravou e escolheu um verso do compositor para nomear seu último disco –, Larissa já estava envolvida com o projeto desde o seu embrião.

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