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Festival de Curitiba marca retomada do setor cultural

A volta presencial do maior evento de artes cênicas da América Latina é um marco da retomada e resistência do setor cultural após a suspenção de espetáculos presenciais por causa da pandemia.

A retomada do festival mostra a força da cultura e é uma “vitamina artística” para o setor. Durante duas semanas – entre os dias 29 de março e 10 de abril -, a capital paranaense respirará cultura. Junto com o retorno presencial do Festival de Curitiba, temos a volta dos encontros e do calor da plateia.

Na programação, alguma das principais companhias de teatro do país, muitas das quais têm tradição em se apresentar no Festival de Curitiba. É o caso do Grupo Galpão. Com 40 anos de história, o grupo participa do Festival de Curitiba desde a primeira edição, em 1992. Neste ano, o Galpão apresentará a peça “Till, a Saga de um Herói Torto”.

Inês Peixoto (ao centro) destaca importância da volta presencial do Festival. Crédito: Guto Muniz – Beatriz Radicchi

A atriz Inês Peixoto destaca a importância da retomada do evento.

“Temos uma vida junto ao Festival e esse retorno é muito emocionante e importante para o Brasil e para o mundo do teatro. É um incentivo para que as coisas continuem. Recebemos esse convite para estarmos no Festival com muita alegria, como se fosse uma injeção de ânimo, uma vitamina artística”.

A longa história do Grupo Galpão com o Festival de Curitiba está devidamente registada. O grupo mantém diários de cada espetáculo. No documento, por exemplo, consta que em 2010, na encenação de Till, foram 3 apresentações na Ópera de Arame, com média de público de 1.200 pessoas por sessão, e mais duas ao ar livre, no Parque Barigui. Uma delas em um sábado, às 17h, sob forte temporal. “Molhou tudo. Mas, mesmo assim, fizemos o espetáculo”. No dia seguinte, um sol de rachar, conforme anotado no diário. “Quase morremos de calor e fizemos para 800 pessoas. Boas lembranças”.

Cia dos Atores

A Cia dos Atores, do Rio de Janeiro, também está presente no Festival de Curitiba desde a primeira edição e agora volta para a edição célebre de 30 anos com a peça “Conselho de Classe”. Para Susana Ribeiro, uma das diretoras da peça, a volta do maior evento de artes cênicas da América latina com espetáculos presenciais representa um marco da retomada da cultura.

“Dá uma alegria de viver. É uma beleza voltarmos para o palco e criar relação de corpo a corpo com o público. Além de conviver com outras produções, pois essa é a beleza de um festival. É o momento de encontrarmos pessoas, nos apoiarmos e trocarmos”.

 

Conselho de Classe é uma das peças do Festival de Curitiba. Crédito da foto: Dalton Valerio

A pandemia, conforme disse, provocou diferentes momentos – por exemplo, o de ficar em casa, de fazer arte no computador e de escrever novos projetos. Agora, segundo disse, é a hora de apresentar um pouco dessa vivência e das reflexões produzidas no período. “Por isso, é muito importante a presença de um festival. É no palco que vamos construir algo para o nosso futuro”.

A atriz Nena Inoue, vencedora do Prêmio Shell, se diz uma fã do Festival de Curitiba.

“A importância da volta do festival é mostrarmos que estamos vivos e fazendo arte. Com o passar do tempo, fui entendendo a importância do festival e atualmente sou fã desse evento. O festival foi amadurecendo e fomos amadurecendo juntos. Viramos parceiros de caminho”. Nena estará neste ano no Festival de Curitiba como diretora artística do musical “Roberta, uma Ópera Rock”.

 

Importância histórica

O dramaturgo Ivam Cabral, radicado há anos em São Paulo, é natural de Ribeirão Claro, no Norte Velho do Paraná, e iniciou a trajetória profissional dele no teatro em Curitiba, cidade que visita com frequência. De acordo com ele, a 30ª edição do Festival é a celebração da volta dos artistas ao palco.

Cabral integra o Grupo Satyros – este ano, com duas peças no Festival, “Aurora” e “Pessoas Brutas”. Ele aponta a importância histórica do Festival de Curitiba.

“O Festival de Curitiba reinventou a arte não só em Curitiba. A partir de 1992, o evento reformula  a cidade, colocando-a como berço da cultura teatral. O Festival de Curitiba foi o primeiro grande festival de teatro, com reflexos em todo o país. Os festivais de teatro, antes do Festival de Curitiba, estavam ligados ao teatro amador. E o Festival de Curitiba surge como vitrine do teatro contemporâneo. O que acontecia em Curitiba seria sucesso no país todo”

Espetáculo AURORA da cia Os Satyros, foto realizada na estreia dia 25/11/2021. Foto por Andre Stefano @fotosdeteatro / @andrestefano

De acordo com Cabral, o Festival de Curitiba é há muitos anos o maior evento cultural do país. “Sempre se espera muito pela realização do Festival. Quando a edição de 2020 acabou suspensa [em razão da pandemia] foi muito triste. Era como se a partir daquele momento tivéssemos perdido um jogo. Então, é muito importante termos a retomada presencial do Festival de Curitiba”.

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