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O dia em que Norma Bengell chorou

Auditório do Guairinha lotado para a estreia no Festival de Curitiba da montagem de “Vestido de Noiva“, obra-prima de Nelson Rodrigues. No elenco, a atriz Norma Bengell, expoente do teatro brasileiro, de volta aos palcos para interpretar um dos personagens mais marcantes de sua carreira: a Madame Clessi.

Era domingo, dia 23 de março de 2008, e o clima era de expectativa. Afinal, Norma Bengell foi a estrela da icônica montagem do diretor Ziembiński, de 1976, quando interpretou a mesma Madame Clessi que seria apresentada no Guairinha pela Cia. de Teatro Os Satyros, de São Paulo.

Ivam Cabral ao lado de Norma Bengell, na peça Vestido de Noiva. Crédito da foto: Flavio Sampaio

Sucesso de público e crítica, a versão de Os Satyros era ultra tecnológica e inovadora. Mas, na estreia no Festival de Curitiba, os deuses do teatro resolveram mostrar seus caprichos. Os equipamentos de vídeo e projeção usados na peça, essenciais para a encenação, deram pane. Os aparelhos reservas também não funcionaram. Os técnicos nada conseguiam fazer para resolver o problema e a apresentação teve de ser cancelada.

Naquele dia, Norma chorou.

Nas apresentações dos dias seguintes, tudo ocorreu conforme o previsto, sem qualquer problema, com a peça sendo ovacionada e Norma Bengell e elenco aplaudidos de pé.

Passados 14 anos, o dramaturgo e ator Ivam Cabral lembra do ocorrido com humor, mas até hoje não entende o que aconteceu.

“Parar a peça no meio e não poder continuar provocou uma sensação horrível. É um mistério até hoje, pois tínhamos equipamento reserva e técnicos para solucionar alguma eventualidade. Mas, tudo deu errado naquele dia. Já nas sessões seguintes, a peça funcionou normalmente”

Os Satyros estão de volta

Este ano, a Cia, que tem tradição em se apresentar no Festival de Curitiba, apresentará duas peças no evento dentro da Mostra Lúcia Camargo, ambas no Teatro Zé Maria, às 21h, e com classificação de 14 anos: “Aurora”, nos dias 7 e 8 de abril; e “Pessoas Brutas”, nos dias 5 e 6 de abril.

“Aurora” se passa em um pequeno prédio de quatro andares, na Rua Aurora, com oito apartamentos, quase todos ocupados, com exceção de um deles, fechado há muito tempo, sobre o qual ronda uma aura de mistério. No térreo, onde no passado funcionou um famoso ateliê de roupas elegantes, hoje funciona um bar gay decadente, mas muito frequentado. É nesse cenário que se cruzam as histórias de Mãe (Gustavo Ferreira), Acácio (Henrique Mello), Saltério (Ivam Cabral), Bola (Julia Bobrow), Diega (Marcia Dailyn), Justyna (Nicole Puzzi) e Ordálio (Eduardo Chagas).

“Pessoas Brutas” é contada a partir do sequestro da filha de um doleiro denunciado no ‘esquema da rachadinha’. Os destinos de vários personagens anônimos de São Paulo se cruzam em uma teia de relações violentas em que buscam desesperadamente figuras heroicas para dar sentido às suas vidas desesperançadas.

São 13 atores no palco para a terceira parte da Trilogia das Pessoas – com foco em personagens anônimos de São Paulo, que na verdade se parecem e podem representar todos os anônimos das metrópoles contemporâneas mundo afora.

Os ingressos custam R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada), mais taxas.

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