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O ‘gatilho’ para a construção da Ópera de Arame

Jaime Lerner, prefeito de Curitiba na época, abraçou a ideia do festival e construiu a Ópera de Arame a tempo da abertura do evento.

“Ele adorou o festival, foi um prazer para ele ter a oportunidade de participar desta forma, criando aquele espaço”

“Ele dizia que aquele lugar era uma ferida na natureza, que poderia se tornar um lugar de lazer e cultura”

 

A abertura da primeira edição do Festival de Curitiba, em março de 1992, com o espetáculo “Sonhos de Uma Noite de Verão”, marcou também a inauguração de um dos principais pontos culturais e turísticos de Curitiba, a Ópera de Arame. O teatro transparente sonhado pelo então prefeito Jaime Lerner, construído em menos de 3 meses, ficou pronto às vésperas da estreia da programação e tem a sua história intimamente ligada ao evento.

Ilana Lerner, filha de Jaime Lerner, conta que o pai ficou muito entusiasmado quando soube da realização do festival. Ele já tinha planejado transformar a área da pedreira abandonada em um espaço para a cultura. “Ele dizia que aquele lugar era uma ferida na natureza, que poderia se tornar um lugar de lazer e cultura”, lembra. Assim, ela acredita, o festival acabou sendo uma espécie de “gatilho” para o começo da obra.

“Era um sonho dele fazer um teatro transparente, invisível, que permitisse às pessoas perceber o seu entorno, o mato, o lago, a água. Fazer uma obra menos invasiva à natureza, criar um ambiente mágico”, diz Ilana. Jaime Lerner sempre foi um consumidor de cultura, gostava de teatro, música, literatura, artes visuais. A possibilidade de fazer a ópera a tempo de sediar a abertura de um festival promissor o deixou muito entusiasmado, lembra a filha.

“Meu pai adorava cultura, vivenciava muito. E sempre colocou a cultura como uma das prioridades do que ele pensava para a cidade. Ele adorou o festival, foi um prazer para ele ter a oportunidade de participar desta forma, criando aquele espaço”.

De lá para cá, a Ópera de Arame segue sendo um dos espaços mais emblemáticos de Curitiba, sempre entre os primeiros na preferência de turistas e curitibanos. “O que ele sempre quis foi isso, que a cidade permitisse às pessoas que se apropriassem de seus espaços, que os transformassem em cenários de encontro”, diz a filha.                                                                

O próprio Lerner, que morreu no ano passado, sempre foi um assíduo frequentador do lugar. “Ele curtia a Ópera e a Pedreira (Paulo Leminski). Quando abriu o restaurante, foi lá várias vezes. Quando começou a programação de música, também. Quando a Pedreira esteve fechada, ficou triste, e festejou muito sua reabertura depois. Era um espaço muito caro a ele”, conta Ilana.

Passados 30 anos de sua inauguração, a Ópera de Arame, no entender a filha de Lerner, pode ser considerada um divisor de águas na cultura e no espaço urbano de Curitiba. “Como foi o Teatro do Paiol, na primeira gestão dele”, compara ela.  

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1 Comment

  • Orgulhoso dessa cidade que fez na prática a rua, a praça, para seu cidadão. Bela e útil. Já tivemos prefeitos míopes que proibiram o Uber e os Food Trucks. Lembrar de Jaime Lerner, é alegria e esperança.

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