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Um festival que inspira e propõe

Guilherme Weber e Marcio Abreu, curadores do evento por cinco anos, destacam o impacto do evento na cultura brasileira.

Guilherme Weber e Marcio Abreu, curadores do Festival de Curitiba entre 2016 e 2020, sabem da importância do evento e seu impacto na cultura do país. Após cinco trabalhando diretamente na definição da programação de espetáculos e debates sobre o mundo das artes, os dois concordam que o que ocorre há 30 anos no mês de março Curitiba tem um impacto que vai bem além do evento em si.

“É uma ação que acaba formando uma assinatura de artistas e de cidadãos espectadores. Quando a arte acontece em continuidade, por 30 anos, acaba constituindo uma memória e identidade”, diz Guilherme Weber.

A dupla destaca o trabalho iniciado lá nos anos 90, com alta capacidade de reinvenção. “O Festival de Curitiba tem, nesses 30 anos, muitas faces. Essa capacidade de se reinventar também é responsável pela longevidade”, destaca Marcio Abreu.

“Como toda ação longeva, tem momentos que as estruturas precisam ser transformadas. E sempre houve, por parte da direção do Festival e das curadorias, uma disponibilidade para abrir perspectivas”, ele conclui.

No seu tempo de curadoria, os dois pensaram pensaram em diversos formatos, com o objetivo de abraçar um público mais plural, independente de classe social, gênero ou orientação sexual.

“A gente fez ações muito significativas no sentido de pensar qual a função de um festival. O festival não pode ser só um lugar de receber ações, espetáculos, peças e obras artísticas que já existem. Ele também passa a ser um elemento que inspira e propõe”, reforça Márcio Abreu.

 

Novas camadas de público

Guilherme Weber, que reconhece vários pontos em comum entre a sua própria trajetória profissional e a do Festival de Curitiba, destaca a ampliação do diálogo com um público maior.

“O nosso trabalho marca um slogan do Festival, que é o Festival Para Todos. Quando uma curadoria muda, ela muda o olhar a partir dos artistas que os curadores conhecem e frequentam. A gente conseguiu ampliar, ou até inaugurar, uma relação com novas camadas de público. Com fatias de público que já não estavam encontrando pontos de comunhão com o Festival” diz Guilherme.

A dupla faz um paralelo com o que o evento representa para o momento atual e para o futuro do país. “Eu espero que, daqui a 10 anos, a sociedade entenda o sentido coletivo das coisas, que seja menos individualista e gananciosa. Que os sistemas pensem menos em lucro e mais em convivência. Um festival é um lugar para pensar sobre isso”, reflete Marcio Abreu.

“Num momento do país em que a cultura é tão atacada, um evento do tamanho do Festival de Curitiba é um foco de resistência artística muito importante, especialmente ao comemorar 30 anos de atividades ininterruptas. É uma célula de resistência no momento sombrio que a cultura está vivendo”, finaliza Guilherme Weber. 

Ambos contam que, durante o período em que ficaram encarregados de trabalhar com a curadoria do Festival de Curitiba, trabalharam para um evento mais inclusivo, que pudesse causar reflexão não apenas durante as atrações, mas também para depois delas, como performances, oficinas, workshops ocupações de espaços públicos. 

 

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