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Viva a Lúcia! Viva o Festival!

Por Fabiano Camargo, com colaboração dos irmãos Adriana e Guilherme – os três eternos “filhos da Lúcia”. 

Quando meu grande amigo e companheiro de tantas jornadas Leandro Knopfholz me pediu um texto sobre a Lúcia Camargo para o guia do Festival, senti um conhecido frio na barriga. Lembrei de vários textos que ela mesmo me pediu para redigir, em diversas situações, que sempre eram desafiadores, independente do tema, prazo ou destino. Não era nada fácil escrever para uma pessoa com aquela bagagem cultural, currículo e nível de exigência altíssimo, que entre tantas outras funções também foi professora de jornalismo. Mesmo quando o redator convocado era seu filho, ela não aliviava na análise da forma e conteúdo do texto. 

A missão que me traz aqui é sintetizar a atuação da Lúcia neste evento gigante, que para nossa imensa alegria lhe presta homenagem nesta edição. Uma baita responsabilidade, penso comigo mesmo. E certamente lá de cima ela vai dar uma revisada – minha mais crítica revisora segue comigo, tenho certeza. Me inspiro em três das maiores lições aprendidas com ela – ter coragem para enfrentar os desafios, ajudar as pessoas e sempre manter o bom humor – e vamos em frente.

Lúcia era dos livros, dos quadros, do cinema, da televisão, do artesanato, da música, das esculturas e de todas as formas de expressão artística, mas talvez fosse nas artes cênicas que mais se realizasse. Mas o que explicaria esta predileção? Nosso palpite: teatro se faz essencialmente ao vivo – pelo menos antes da pandemia era assim, e logo voltará a ser -, com atores e público frente a frente, bem próximos, um alimentando o espírito do outro. Teatro é gente reunida acima de tudo. 

O que ela mais gostava, também acreditamos, era de pessoas. De estar entre elas, por mais diferentes que fossem, e de unir talentos, compartilhar ideias, criar pontes, potencializar vocações, gerar intercâmbios e ajudar. Para quem gosta disso, um dos melhores lugares no planeta sem dúvida é o Festival de Curitiba, com suas mostras, eventos e efervescência criativa em ritmo frenético. 

Aliás, ritmo que também era o dela. A cada festival, esbanjava fôlego, assistindo dezenas de espetáculos, percorrendo desde o Guairão até as salas alternativas, praças e ruas, numa maratona que invariavelmente também terminava com jantares até altas horas. Gostava tanto deste agito todo, que nunca ficava na casa de um dos três filhos quando vinha para Curitiba. Queria era ficar no hotel do festival, no meio do fervo. 

Lúcia nos deixou aos 76 anos sem revelar a ninguém qual o segredo para tanta energia. Seria alguma poção mágica, elixir indígena, droga natural, fórmula sintética ou garrafada aprendida em suas andanças pelo Brasil e pelo mundo? Ainda não descobrimos, mas acreditamos que o Festival deve fazer parte desta receita. Viva a Lúcia! E viva o Festival!    

 

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1 Comment

  • Viva a Lúcia!!!!! Ela nos ensinou muito! Ela nos deu muito! Ela faz muita falta!

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