festival-curitiba1x
Risorama – Entrevista com Diogo Portugal

Formato

“O Risorama inspirou todos os festivais de humor que existem no Brasil hoje. Todos. O Risadaria, que veio cinco ou seis anos depois, pesquisou, viu como era e quis fazer algo maior. Só que o Risorama tem uma essência que é só do Risorama. A gente sempre montou um bar, a gente nunca quis fazer Risorama em teatro. A gente nunca quis uma coisa comportada, onde as pessoas sentam, assistem à peça e vão embora. O Risorama tem um clima de cabaré: as pessoas consomem, tem atendimento, comida e garçons treinados para um espetáculo de comédia”.

“A gente é uma prateleira de supermercado, onde a gente oferece produtos e as pessoas consomem. Dá um certo glamour e um certo currículo pro comediante. Eu já vi muitos humoristas ‘da moda’, isso acontece muito. Só que o Risorama tem 18 anos, eu não me iludo com moda. O comediante que nasceu pra isso é o cara que reinventa, é o operário da comédia, que está sempre ali se reinventando, criando texto, trabalhando as redes e fazendo os shows. E o bar sempre foi a academia do humorista. O Risorama tem a essência do bar: a plateia já tá levemente alcoolizada, quebra um copo, acontece alguma coisa, alguém tem alguma risada diferente. É diferente do teatro, onde você tem a plateia na mão, é mais fácil. No bar, você luta um pouco com a onda sonora e isso é um pouco da essência dos clubes de comédia americanos”.

“Nós já fomos muito copiados. Mas com a nossa essência, a gente tem orgulho de dizer que cria um bar cenográfico e cria tudo do nada. A gente investe e não economiza, mas o Risorama nunca foi pelo dinheiro, tanto que nós fizemos muito tempo sem ganhar dinheiro. E hoje, que tá um pouquinho melhor, a gente não mede esforços para dar um bom espetáculo para as pessoas e para o patrocinador. É muito pelo amor pelo evento. E isso é uma das coisas que manteve o Risorama até hoje não só no mercado, mas também por uma simpatia por parte dos comediantes. Eles gostam de participar. Eu já vi vários festivais – que não vou citar nomes, obviamente – mas que eles falavam: ‘Que foda esses caras, olha só onde eles mandam a gente fazer show, num shopping, num metrô’. No Risorama não, a gente une, dá um ambiente legal, a experiência de se encontrar, um bom camarim, hospedamos eles bem. Isso é importante também. Eles vão lembrar do que eles viveram, não do quanto eles ganharam, apesar de que o cachê foi melhorando com o tempo”.

 

Trajetória

“No começo, a gente investiu muito no Risorama. A gente não tinha patrocínio, a gente não tinha nada e a gente aguentou. Sabe aquele processo que você sabe que uma hora você vai ganhar? Foram quatro ou cinco anos sem ter lucro e, depois com o tempo, começaram a vir apoiadores e patrocinadores”.

“O Risorama precisava muito de divulgação, unir forças para que todo mundo soubesse do Festival. E tinha um blog muito famoso na época chamado Kibe Loco, tudo o que você colocava lá, bombava. Eu convidava o Antônio Tabet e ele postava no blog dele os bastidores do Risorama. E ali ele conheceu vários humoristas, inclusive o Fábio Porchat. Antônio Tabet e Fábio Porchat se encontram e, depois de um tempo, surge um grande projeto que é o Porta dos Fundos”.

“O Risorama atingiu a maioridade: 18 anos. Então tá na hora de sair de casa. Já vai fazer três anos que estamos itinerando. Saímos de Curitiba e fizemos praças como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Chapecó, Londrina, Maringá, e vamos repetir a dose”.

 

Elenco e público

“No começo, o Risorama tinha um nome mais forte que o dos humoristas. Ninguém sabia quem viria, as pessoas iam para o Risorama. Mas, com o tempo, nós fomos o primeiro grande público de muitos comediantes que estão em cena. Por exemplo, Rafinha Bastos, Danilo Gentili e Fábio Porchat. Hoje a gente chega a fazer uma sessão com mil pessoas, e geralmente dá uma sessão extra. É um produto de grande massa. Sempre no meio de nomes fortes, tem comediantes que a gente está acreditando, que estão bombando na cena, mas que o povo de Curitiba ainda não conhece”.

“É uma seleção. Não é para o comediante que não está pronto. A plateia de Curitiba é muito exigente, embora tenha se tornado um berço de comédia muito forte, com nomes como Diogo Almeida, Afonso Padilha, Emerson Ceará, Rafael Aragão, Sérgio Lacerda”.

“Quando o Afonso Padilha fez pela primeira vez o Risorama ele não ainda tinha estourado. Mas Curitiba já via ele”.

“Eu tava vendo a Dani Calabresa falando de Big Brother no programa da Fátima Bernardes. Aí ela citou meu nome, eu achei bonitinho ela ter citado: ‘Meus amigos me incentivaram a manter esse nome, eles achavam engraçado como Diogo Portugal, Danilo Gentili…’. Ela começou no Risorama. Um dia ela substituiu a Nany People e foi muita responsabilidade, porque eu coloquei ela de cara como apresentadora. Ela gostou tanto do projeto que ela fez uma definição que eu gosto de citar até hoje: ‘O clima do Risorama no camarim é muito legal, porque é um grande encontro. É como os médicos quando têm uma convenção e trocam ideias. É a colônia de férias dos humoristas’. Grandes projetos saíram do Risorama”. 

“Toda cena da comédia já passou pelo Risorama. Hermes e Renato, Os Barbixas, Os Melhores do Mundo, Grace Gianoukas, Luís Miranda, Ilana Kaplan, Graziella Moretto, Nany People, Gorete Milagres. Toda a cena do stand-up comedy também: 4 Amigos, os meninos da Culpa é do Cabral. Eles participaram quando ainda não eram famosos”.

 

Erros e adaptações durante os anos

“Eu arrisco muito. Eu coloco coisas que também não funcionam. Uma vez eu coloquei uma menina chinesa que fazia sotaque chinês num stand-up em São Paulo. Ela arrebentava. Mas eu levei para Curitiba e não funcionou muito. Porque Curitiba não tem aquela referência da 25 março, dos chineses. Não rolou tanta identificação. Muitas blogueiras também não funcionaram tanto no Risorama, porque a plateia quer rir, então tem que ter aquela coisa de: ‘Putz, esse cara é bom, merece estar aqui’. A gente trabalha com acerto e erro, mas temos muito mais para a alegria do que para a tristeza. Eu consigo contar nos dedos as coisas que eu errei na curadoria do Risorama. Porque quando dá alguma cagada, a culpa é minha”.

“Na parte artística, não na parte organizacional (risos). A Nany People realmente foi um grande acerto. Depois de 10 anos, cansa um pouco e rolou uma substituição. Márcio Ballas ficou alguns anos e depois a gente decidiu que cada noite deveria ter um mestre de cerimônias diferente, para não ficar cansativo”.

 

Estrutura

“Hoje o Risorama só é possível por causa da estrutura. A combinação dessa sociedade com o Leandro é muito importante. É um cara do marketing, do entretenimento, visionário, com uma equipe comercial fantástica e com uma frente de captação importante. Não adianta só ter ideias, é preciso ter ferramentas. Claro que eu participo do processo de venda, alguns clientes são meus. Mas também tem a parte da equipe da Parnaxx, que executa muito bem os projetos. Quando você envolve teu nome com uma atividade artística que gera alegria para as pessoas também é satisfatório. O Risorama também funciona para os nossos apoiadores como networking de clientes para o povo”. 

 

Como trazer grandes nomes?

“Existe a amizade, existe o networking. Eu conto muito com meus amigos. Muita gente fala: ‘Pô, Diogo, me inspirei em você. Como eu posso te agradecer?’. Eu respondo: ‘Participando do Risorama. Venha pro meu Festival’”.

“A Nany People fez um depoimento falando da importância que o Risorama deu pra ela, porque ela entrou num mercado onde ela lucra até hoje. Depois ela foi fazer novela. Ela é multifunções, mas a comédia é o carro-chefe”.

“Danilo Gentili, que hoje tem o talk-show de maior audiência do Brasil, começou na comédia, no stand-up. E ele lembra disso. Eu tenho certeza que ele vai participar do Risorama deste ano, por uma questão de respeito à instituição e o que ela representa”.

“Isso não quer dizer que eu tenho dificuldade de trazer alguns nomes. Esses caras têm agenda, produtor, empresário. Mas, como são meus amigos, eles fazem uma exceção. Assim como o Chico Buarque participa de um festival de música que ele ache importante pela representatividade, por exemplo”.

“A gente tinha que explicar o que era stand-up. Ninguém sabia essa palavra. Hoje em dia, temos o Thiago Ventura, um cara da quebrada de São Paulo que popularizou com a pose dele. Alguns meninos mais novos acham até que a comédia stand-up começou de uns anos pra cá, porque ficou conhecendo agora, com Renato Albani, que é amigo do Neymar, do Caio Castro. Quando eu ia para Vitória, ele abria meu show. Hoje virou um grande nome e isso é legal, porque ele fala: ‘Porra, Diogo, se não fosse lá atrás as noites em que você me chamava, eu não estaria aqui hoje, porque despertou a minha vontade de fazer’. Renato Albani é certeza que estará esse ano, é um nome que chama público. E de brinde, vai ver outros dois humoristas que não conheciam, que podem ser os próximos grandes nomes do futuro”.

“A minha assessora pessoal é a Marlene Serafim. Ela tem uma afinidade boa com os comediantes. Tem paciência, lida com os empresários, as agendas. Eu não conseguiria fazer tudo sozinho. Ela tem uma boa aceitação com os humoristas. Isso é importante, o trato com eles. Porque qualquer tipo de interferência na negociação, você se queima. Então você precisa ter a pessoa certa para falar, com jeitinho. Tudo isso faz parte do processo do Risorama. Quando o pessoal vê tudo pronto, pensam: ‘Ah, foi fácil fazer’. Não, não foi. Você não sabe o quanto a gente batalhou para botar essa pessoa no palco”.

 

Futuro

“Existe a possibilidade do Risorama se tornar um programa de televisão, mas aí é melhor falar com ele”.

NULL

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Posts relacionados

Entre os dias 29 de março e 10 de abril, você tem um encontro com a arte, os palcos, a vida!

Menu

Entre os dias 29 de março e 10 de abril, você tem um encontro com a arte, os palcos, a vida!