Os espetáculos da Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba têm um ator que não entra em cena, mas sem o qual as cortinas não se abririam, nem aconteceria a magia do teatro.

Cenário, palco e caixa preta – e outros itens menos conhecidos por quem não é do meio teatral, como varas, coxias e rotundas – estão sob responsabilidade de Aorelio Domingues, o coordenador de montagem do Festival de Curitiba.

Ele é o cara dos bastidores, junto com uma equipe de 42 pessoas responsável pela montagem das peças que brilharão nos palcos.

Aorelio está no Festival de Curitiba há 7 anos. Foto: Daniel Sorrentino

 

Em um festival com mais de 30 peças na mostra oficial, a rotina do maquinista é intensa. Termina um espetáculo, começa a montagem de outro. Trabalho que não para após o cenário montado. Durante as apresentações, a equipe ainda atua com movimentos de maquinaria.

O desafio é maior quando acontecem as “viradas”: a montagem de um novo espetáculo que será apresentado logo no dia seguinte à última sessão de um anterior.

Nesta edição, por exemplo, o Guairão recebeu “Intimidade Indecente” no dia de 2 de abril. Menos de vinte e quatro horas depois, o “O Bem Amado Musicado” com seu cenário imponente foi apresentado no mesmo local. “É necessário muito planejamento. O trabalho começa com antecedência, analisando os riders técnicos e especificidades de cada peça”, explica Aorelio.

A peça, contudo, que mais deu trabalho para Aorelio e equipe foi  “Chão”. Isso porque os teatros de Curitiba seguem o modelo italiano ou americano. E “Chão” exigia um fechamento alemão, saindo do padrão e indo além da caixa preta, avançando ao proscênio – neste caso, a cena fora de cena. “É um local já sem urdimento. Tivemos de criar uma estrutura com segurança para que a obra fosse posicionada”.

Trabalho exige conhecimentos diversos e planejamento. Foto: Daniel Sorrentino

 

Deu tudo certo, graças ao trabalho dos cenotécnicos, uma profissão que requer conhecimentos diversos. Aorelio cursou Belas Artes e adquiriu na prática habilidades em marcenaria, solda, carpintaria, costura e artesanato. Não só monta cenários, mas também, quando é preciso, os constrói – ele também é cenógrafo.

De acordo com ele, a concorrência para trabalhar no festival – 370 inscritos para 40 vagas – vale a pena para quem é contratado, representando uma oportunidade de ascensão profissional. “Faz um networking legal e aparecem vários trabalhos para os maquinistas. O festival é uma fábrica de revelar novos talentos”. Neste ano, o Festival de Curitiba buscou a contratação de mais mulheres para a função que, normalmente, é dominada por homens. “Em todos os palcos, têm pelo menos uma mulher trabalhando como maquinista”.

Natural de Paranaguá, Aorelio é mestre de fandango reconhecido pelo Ministério da Cultura. Quando o assunto é música caiçara, ele mostra talento nos palcos. Mas para por aí. No teatro, prefere mesmo ficar atrás das cortinas. “Sou péssimo ator e sempre gostei dos bastidores. É um universo maravilhoso, em que estamos perto dos atores e temos um contato diferenciado”.

 

Por Guilherme Bittar – Agência de Notícias do Festival de Curitiba

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