“O festival é o momento que tem mais pessoas negras frequentando o teatro”, afirma integrante de coletivo negro

Dos palcos à plateia, a 31 ª edição do Festival de Curitiba preocupou-se com a representatividade e a questão racial. A programação teve vários coletivos formados por negros e peças que discutira o tema. Paralelo a isso, a organização do evento elaborou ações para inserir o público negro no teatro.

Na mostra oficial, ao menos 7 espetáculos abordaram a questão racial ou tinham elencos formados por negros: “Chão”, “Cárcere ou porque as mulheres viram búfalos”, “Desfazenda-me enterrem fora desse lugar”, “Primavera e Breu”, “Prot{agô}nistas, o movimento negro no picadeiro” e “Arqueologias do Futuro”.

No Fringe, um dos espetáculos presentes na mostra, “14 de maio o dia que não acabou”, encenado no dia 1° de abril, comoveu a plateia ao discutir a violência policial e a matança de negros. “A ideia era se conectar com o público e falar do dia 14 de maio, o dia após a abolição da escravatura, que se estende até hoje”, afirma o diretor Gester Furtado.

Em Square/Praça, o espetáculo que movimentou a Praça Santos Andrade, a personagem da curitibana típica foi representada por uma negra. “É uma representatividade muito importante para nós. É a nossa chance de mostrar que estamos aqui e fazemos parte da cidade”, afirma a atriz Beca Melo.

“Desfazenda” é outra peça que trouxe o debate que ecoa na história do Brasil. “Um jovem preto morre a cada 23 minutos”, afirma a diretora Roberta Estrela D’Alva. Ela compara este elo histórico a um fantasma de 400 anos que ainda vive em uma supremacia branca. “Precisamos falar disto ainda? Sim! É um perigo real”, completou.

Participantes de Square. Foto: Daniel Sorrentino

Plateia

Um festival que se preocupa com a questão racial precisa também ter negros na plateia. Por isso, o Festival de Curitiba elaborou ações para distribuir ingressos a coletivos negros. Um dos grupos contemplados foi o “Movimento de Acesso à Cultura”, formado por de cerca de 160 mulheres negras. “São mulheres negras e periféricas que não teriam condições de frequentar o teatro. Desde 2018, o Festival nos fornece ingressos. É o momento que tem mais pessoas negras frequentando o teatro em Curitiba”, afirma Telma Mello, uma das integrantes do movimento.

 

Guilherme Bittar – Agência de Notícias do Festival de Curitiba

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