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Após forte repercussão no FTC, Leonarda Glück fala sobre representatividade trans nas artes

Leonarda Glück lotou duas vezes o miniauditório do Guaíra durante o Festival de Curitiba e gerou reflexões a partir do espetáculo “Trava Bruta”, escrito e encenado por ela. Trata-se de um manifesto que parte da experiência transexual da autora para propor uma ponte e um embate entre o contexto artístico e a conjuntura política e social brasileira atuais no que se refere ao campo da sexualidade.

Trava Bruta. Créditos: Lina Sumizono

Durante o espetáculo, a autora levanta algumas reflexões: O que tem a cultura a ver com a transexualidade? Como é ser uma artista trans no Brasil de 2022?

“É uma obra sobre a minha experiência transexual, mas acaba se referindo a outras trans e a ao contexto político tão adverso em que nos encontramos. A situação não está resolvida. As artes são atacadas e a transexualidade acaba sendo pouco trabalhada. Ou ela é trabalhada incidentalmente, que não é o caso da minha peça”.

De acordo com ela, a obra é um misto de manifesto e auto ficção que mistura elementos biográficos com outros temas da vida real, especialmente a questão da transexualidade e o preconceito ainda existente na sociedade. “Basta vermos o modo como as trans são tratadas fora, nos hospitais, instituições de trabalho, na vida pública em geral”.

Teatro lotado

A curitibana Leonarda mora em São Paulo desde 2019. Ao longo da carreira, ela já esteve em projetos como Selvática e Companhia Silenciosa e se apresentou diversas vezes no Festival de Curitiba. Dessa vez, ela diz que se surpreendeu com a repercussão do espetáculo.

“O espetáculo é para pessoas Cis e que precisam aprender o que está acontecendo. Acredito que saíram reflexivas. O objetivo não é trazer respostas, mas fazer as pessoas refletirem”.

Trans no comando

Se a representatividade trans precisa ser conquistada em diversos espaços, isso vale ainda mais em posições de comando. Por isso, ela diz que o projeto “Trava Bruta” representa uma quebra de paradigmas. “É raro encontrar pessoas trans em posição de poder, por todo o histórico a que são submetidas ao longo da vida. A gente tem representatividade trans em várias instâncias acontecendo, mas, geralmente, são pessoas que participam do projeto de outras pessoas. E, no caso da “Trava Bruta”, é um projeto feito e coordenado por uma pessoa trans”.

O fato de uma obra que fala sobre transexualidade ser produzida por uma pessoa trans traz essência para o espetáculo, conforme Leonarda. “Já assisti a muitas peças que falavam da transexualidade e percebia que ninguém queria falar do aspecto de como é viver isso de dentro. Esse descompasso interior com o exterior. O espetáculo tem tom poético que acaba trazendo as pessoas e colocando-as do nosso lado”.

Sobre o Festival

“É muito importante para as artes cênicas. Essa edição de 30 anos ficou numa versão bem interessante. Dá para ver mais coisas e se aprofundar em algumas questões. Enquanto existir fila na porta do teatro para entrar, há esperança. Curitiba provou que essa esperança existe e que o teatro não vai acabar”.

Saiba mais sobre o espetáculo.

Por Guilherme Bittar

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