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Diversidade no Festival de Curitiba

Atriz, bailarina, artista trans. Marcia Dailyn, 44 anos, tem uma sólida carreira nos palcos e está no Festival de Curitiba. Ela encena a peça Aurora (nesta quinta e sexta-feira, às 21h, no Teatro Zé Maria). Marcia não é a única. A diversidade é uma característica do maior evento de artes cênicas da América Latina. A programação trouxe ainda as Irmãs Brasil — Viní Ventania Xtravaganza e Vitória Jovem Xtravaganza, da peça “Sem Palavras” — e Leonarda Glück, com o espetáculo “Trava Bruta”.

Marcia no café com a imprensa promovido pelo Festival de Curitiba. Foto: Annelize Tozetto

Marcia deu os primeiros passos no mundo artístico aos 11 anos, na dança. Aos 13 anos, iniciou no teatro. Tornou-se a primeira bailarina transsexual do Teatro Municipal de São Paulo. “Eu amo ser artista e a função que eu carrego”.

Num mundo em que a comunidade LGBTQIA+ precisa lutar todos os dias por respeito e espaço, o meio artístico é onde o acolhimento é maior, ainda que esteja longe do ideal, conforme Marcia. “Vejo uma evolução muito bonita em poder colocar nossos corpos e “corpas” LGBTQIA+ nos palcos. Eu acho incrível estarmos nos teatros de nome, com os holofotes, e não só nas grades”.

A presença da comunidade LGBTQIA+ no meio artístico vai além dos palcos, segundo ela. “É o meio que mais abre as portas para a gente: temos figurinistas, cabelereiros, maquiadoras, cenógrafos, tanta gente. Por isso, eu sempre digo: a arte cura e salva vidas”.

Irmãs Brasil

As irmãs Brasil causaram furor no festival, nas palavras do crítico Miguel Arcanjo. E foram“corpas” importantes no evento. Gêmeas univitelinas, artistas desde adolescentes, elas saíram de Amparo, no interior de São Paulo, para os grandes palcos do país e estrelaram a peça “Sem Palavras”. “Estamos no processo de reivindicar espaço na cena e visibilidade. A sociedade tem uma cultura de que corpas como a nossa só existem na noite, no underground”, afirma Viní Ventania Xtravaganza. “Não é óbvio que travestis estejam aqui. É uma luta. E ainda vivemos esse processo de inclusão pela exclusão. Ainda somos taxadas. O festival é um disparador para pensarmos sobre a presença de outras corpas em cena”, completa Vitória Jovem Xtravaganza.

As Irmãs Brasil Viní Ventania Xtravaganza e Vitória Jovem Xtravaganza. Foto: Annelize Tozetto
Marcia e Irmãs Brasil. FOTO: Annelize Tozetto

Leonarda Glück

FOTO: Lina Sumizono

A autora Leonarda Glück participou do festival com a peçaTrava Bruta”, um manifesto que parte da experiência transexual da autora para propor uma ponte e um embate entre o contexto artístico e a conjuntura política e social brasileira atuais no que se refere ao campo da sexualidade.

A peça lotou duas vezes o miniauditório do Guaíra. A artista mora em São Paulo desde 2019, mas é de Curitiba-PR, já esteve em projetos como Selvática e Companhia Silenciosa e se apresentou diversas vezes no Festival de Curitiba. Dessa vez, ela diz que se surpreendeu com a repercussão do espetáculo. “O espetáculo é para pessoas CIS, que são as que mais precisam aprender o que está acontecendo. Acredito que elas saíram reflexivas. O objetivo não é trazer respostas, mas fazer as pessoas refletirem”.

Por Guilherme Bittar 

 

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