Em entrevista coletiva na abertura do Festival de Curitiba, direção e curadoria avaliam mudanças e projetam o futuro do evento

Com nada menos do 18 sessões esgotadas antes mesmo de começar, o Festival de Curitiba pretende bater na edição de 2023 o recorde de 250 mil espectadores. A expectativa foi anunciada por uma das diretoras do evento, Fabíula Passini, durante coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira, 27, na Sala Jô Soares, no Hotel Mabu.

“Isso é sem dúvida nenhuma motivo de orgulho”, garantiu Fabíula. “Da mesma forma, me senti orgulhosa quando o pessoal de ‘O Tempo e Sala’ [peça em cartaz no Festival] procurou a gente, dizendo que queria estrear o espetáculo deles aqui. São artistas que têm uma carreira consolidada.”

Uma das curadoras da edição deste ano do Festival, Gioavana Soar ofereceu outro ângulo pra avaliar o sucesso de público do evento até aqui. “Se você olhar, nossa programação não tem um grande número de espetáculos com atores superconhecidos, gente da TV, por exemplo”, disse. “Então, é muito bom saber que a cidade de Curitiba se interessa mesmo por teatro, e não apenas por celebridades.”

Neste ano, o Festival de Curitiba conta com quatro pratas da casa, produções da própria capital, na sua principal vitrine, a Mostra Lucia Camargo: o solo “Sobrevivente”, da premiada atriz Nena Inoue; a estreia na direção do renomado iluminador Beto Bruel, em “Ovos Não Têm Janela”, com texto de Manoel Carlos Karam; a versão de Maurício Vogue para “Sonhos de Uma Noite de Verão”, que será apresentada no jardim de um bar; e “Adoráveis Transgressões”, da Selvática Ações Artísticas, que faz um drama russo ganhar contornos de cabaré.

Fora isso, a produção “O Tempo e a Sala”, apesar de ser carioca, tem no elenco seis atores e atrizes curitibanas.

“Na primeira edição do Festival eu ainda estava na faculdade”, lembra a curadora Giovana Soar. “Então, é uma honra pra mim hoje poder programar os meus colegas, parcerias de uma vida toda. Como o Maurício Vogue, com quem eu sempre trabalhei.”

Para tentar impulsionar ainda mais a produção da cidade, este ano cerca de 30 programadores de teatro do Brasil inteiro foram convidados a vir ao Festival para observar a Mostra Fringe, e selecionar montagens que eventualmente possam ser levados ao resto do país.

“Nossa indicação, é claro, é que eles olhem para espetáculos feitos por artistas da cidade.”

PASSANDO O BASTÃO

Durante a coletiva, o fundador do Festival de Curitiba e atualmente codiretor, Leandro Knopfholz, definiu a atual edição como de “transição”. “Este é o Festival da Fabíula, que fez a maior parte do trabalho. E minha ideia é que seja cada vez mais assim”, disse.

“Eu estou aqui hoje meio que como rainha da Inglaterra”, brincou ele. “É como diz o Belchior, o novo sempre vem. E vem pra melhor.”

Por Sandoval Matheus, da Agência de Notícias do Festival de Curitiba

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