Em parceria com Heloísa Périssé, ator abriu duas sessões extras no Festival de Curitiba; os dois foram uma simpatia em coletiva de imprensa
Por Sandoval Matheus
Heloísa e Marcelo. Foto: Annelize Tozetto.
Depois de esgotarem nada mais nada menos do que duas sessões extras no Festival de Curitiba, os atores Marcelo Serrado e Heloísa Périssé, protagonistas da peça “Avesso do Avesso” – uma coletânea de esquetes sobre a vida a dois – concederam entrevista coletiva na tarde deste sábado, 05, no Hotel Mabu. E não queriam ir embora, ainda que sob os protestos dos produtores, que sabiam que os intérpretes precisavam estar no Teatro Guaíra dali a pouquinho.
“Eu acho que é a coisa do casal. Tem uma empatia. As pessoas se reconhecem”, considerou Heloísa, falando sobre a recepção da peça. “Tudo é química. Tem substâncias que explodem, outras que evaporam. A gente se complementa. O avesso do avesso é o certo”, definiu.
O jogo do palco se repetiu no sofá da Sala de Imprensa Ney Latorraca. “Eu acho que nós, artistas, vivemos numa outra dimensão. A gente empresta um colorido, um perfume pro mundo”, constatou Heloísa, a Lolô, para os íntimos, nas palavras de Marcelo Serrado, que emendou, um tanto lacônico: “Fazemos uma suruba na plateia, mas é uma suruba britânica”.
Pelo carisma de ambos, a conversa rapidamente descambou pra assuntos que tinham pouco, ou mesmo nada, a ver com o espetáculo. “Hoje eu sou a mãe da Trepa-Trepa. A nossa vida de artista é isso. Essa transcendência”, reclamou Heloísa, bem-humorada, em referência ao hit criado pela filha, Luísa, durante entrevista a um podcast.
Recentemente, Marcelo Serrado fez parte do elenco de “Beleza Fatal”, novelão que foi a última sensação do audiovisual brasileiro. “A gente furou todas as bolhas, foi da capa da Folha de São Paulo ao TikTok”, comentou. “E a Camila Pitanga vai me ver amanhã”, despistou, em referência a sua colega na HBO Max.
Os dois também fizeram deferência a Ney Latorraca, que este ano batizou a sala de imprensa do Festival de Curitiba. Tanto Marcelo quanto Heloísa trabalharam com Ney, em momentos diferentes da carreira. Marcelo Serrado chegou inclusive a desenvolver uma relação íntima com o tótem da teledramaturgia brasileira, o que incluía a troca de telefonemas. “Ele me ligava e queria saber do meu borderô”, relembrou, divertido. “Eu pensava: ‘gente, eu sou amigo do Ney’.”
A certa altura, Heloísa Périssé relembrou o dia em que recebeu o maior elogio de sua vida. “O Chico Anísio virou pra mim e disse: ‘sou teu fã’. Meu mundo fez vruuuummmm. O cara era meu espelho. É por causa dele que eu faço o que eu faço”, emocionou-se.
A propósito, a peça? Heloísa explica: “É um casal que vai logo com o pé no peito um do outro. Sabe aquela pergunta, ‘o que você faz?’. Eu sou um narcisista”, disse. “É como se um pedisse pro outro pra não ser o que é. A gente queria fazer uma comédia, mas que tivesse algum estranhamento.”
Foi Serrado quem incentivou a vinda de Heloísa ao Festival de Curitiba: “É um evento muito importante pra nossa classe. Falei pra Lolô que uma artista como ela não poderia deixar de vir”.